Já faz mais de um ano que resolvi
escrever pelo menos um poeminha para cada pedalada no Strava (aplicativo e rede
social que monitora e compartilha atividades físicas). Como vou de casa ao
trabalho quatro vezes por semana de bicicleta, e pedalo mais uma ou duas vezes
no fim de semana, sempre registrando tudo no Strava, por mais que eu esteja sempre
dizendo/escrevendo algo, como dizem Os Paralamas do Sucesso, “tem sempre alguma
coisa por dizer”. Mas meus escritos escondidos no Strava, há alguns dias,
pediram passagem e saltaram para além de lá: comecei a compartilhá-los inbox
com dois barbudos que passaram a pedalar comigo. Como eu também cultivava no
rosto uma vasta pelagem na ocasião, ao fazer uma foto com o nascer do sol ao
fundo, em uma fria manhã de Inverno aqui no Sul do Mundo, falei para os dois
sujeitos que éramos um trio bem peculiar naquela foto. Os pelos no rosto, por
mais que houvesse um sol imenso na imagem, roubaram a cena da foto. Foi aí que me
veio na cabeça e falei “Olha só esse trio! TriBarba!”.
Posso dizer seguramente que mais de 90%
dos quilômetros que pedalei foram de maneira solitária. Desde que adotei a
bicicleta para ir trabalhar em um supermercado na adolescência, passando pelos
meus estudos de graduação e mestrado na UEL até minha jornada daqui de Londrina
até Bauru, em São Paulo há dois anos (papo pra outra postagem), quase sempre
estive solito, como o Márcio no poema de inauguração deste blog. Justamente por
estar vivendo um tipo de isolamento social, não planejei sair dele. Mas começaram
a surgir as ideias de pedalada. Primeiro em dupla. Fiz um giro com o Armando,
profundo conhecedor e entusiasta da Caloi 10. Eu, que sempre preferi estradas a
trilhas, tinha adotado, desde sempre, Mountain Bike (MTB) hibrida, com pneus
lisos, com amortecedor quase nulo no garfo. Começava ali meu primeiro contato
com uma Speed. E foi aí, com essas primeiras postagens do Strava, replicadas no
Facebook, que o Márcio embarcou conosco. Ele foi o último e bravo ser que prosseguiu
habitando virtualmente apenas no Twitter, resistiu por anos e como pode ao face.
Mas, de repente, lá estava ele também.
Três cidadãos em situações novas: eu
saindo, ao menos aos domingos, do meu
isolamento, Armando voltando a pedalar e retomando a antiga paixão pela Caloi
10, e o Márcio, agora com um perfil no facebook. Naquela pedalada que marcou o
início do trio, eram duas MTB e uma speed. Na semana seguinte o Márcio adquiriu
uma Caloi 10, e eu, em um dos trajetos mais pesados da região, por conta das
subidas agudas (Warta), sofri para acompanhá-los. Decidi ali mesmo que
precisava também de uma bicicleta speed. A grana era curta, mas achei, naquela
mesma semana, uma promoção em um site, que me permitia pagar parcelado. Comprei!
Nos tornamos assim “Los Três Espideros”! Fizemos um pedal épico até Rolândia. Como
de costume, mandei-os o poema daquele pedal. Então o Márcio começou a
arquitetar a inauguração deste blog aqui! Ele acabou indo sozinho na semana
passada, por causa de uma grande combinação de fatores. Nessa semana o Armando
não conseguiu ir, então fomos em dois! De uma semana para outra do blog saímos
do solito para o duo! Em breve voltamos com o trio!
Iria escrever sobre o último pedal,
mas acho que me empolguei demais aqui. Quando eu próprio canso do que estou
escrevendo, é sinal mais que convincente de que devo investir na busca por um
ponto final. Em breve voltamos! Tem vídeos do último pedal. Tem boas histórias.
Haverão de haver poemas... Digo apenas que fiz a pedalada em dois turnos. No duo
do temporal com o Márcio de manhã, e solito à tarde. Fiz 66 Km. Veja bem “6” “6”!
Numero emblemático! Há seis anos eu, que pesquisava a música de Raul Seixas
(que se dizia explosivo por ter nascido no ano da bomba atômica), em paralelo
com a filosofia de Nietzsche (que dizia “não sou um homem, sou uma dinamite”),
fiquei perplexo ao notar que, ali, naquele Agosto de 2011, completavam-se 66
anos das bombas atômicas que colocaram um ponto final na Segunda Guerra. Não obstante
os efeitos terríveis de uma bomba, as explosões (sobretudo as metafóricas) tem
um poder transformador! E foi justamente há seis anos que comecei a blogar.
Primeiro de maneira amadora e incidental, no twitter, no “Clã Pierrot” (nome
póstumo dado pelo Abiloblog, do Carlos Maltz – baterista co-fundador dos
Engenheiros do Hawaii). Depois no “Tragicamente Falando” (que mantenho até hoje
de forma livre, para meus poemas e canções). Na mesma época comecei a
contribuir com o blog “Estação Raul”, de um programa da Rádio UEL em que eu era
um dos produtores. Aquela semente amadora do primeiro clã, viraria em 2015 “Clã
Curinga”, onde contribuí com textos filosóficos, músicas, poemas e crônicas
periódicas. Minha quinta e mais recente experiência com Blog foi o convite para
escrever no espaço “Torcedor do Londrina”, na maior página de esportes do país,
o “GloboEsporte.com”. A este blog, que conta com ao menos uma publicação a cada
jogo do Londrina, chama-se “LECnRoll”! Esta aqui é minha sexta, veja bem “6xta”
experiência com blog! Há algo de mágico em sextas experiências. O sexto acorde
no campo harmônico de dó é lá menor! Relativa de dó! Não precisa entender de
música, só me entenda que, chegar na sexta, é como um recomeço, ainda que
diferente. Há uma pitada de amadorismo, o que trás de volta aquela energia
primordial. Mas deixa brecha para novidades. Experimentos. Estamos apenas
começando! Embora eu, agora, ainda que relutante, colocarei na sequencia um
ponto final.

Boa Jé. Estréia no blog com chave de ouro. Em poucos pedais, temos ( muita) história para contar. Pneus furados, cachorros no caminho, frio, sol, chuva, cidades alcançadas, cidades a alcançar, furto de ferramentas, abortos de percursos, mudanças de planos, recordes a bater (de velocidade, de distância), e muitas histórias que virão. É só o começo! E temos o mundo todo pela frente. Tribarbas, Los três espideiros... um por todos e todos por um. Temos muito asfalto a frente!
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