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quarta-feira, 2 de maio de 2018

LUTO


 

LUTO

Luto por uma luta que se ganha e que se perde a cada dia
Luto por cada parte de mim que morre, interna ou externa
Luto pelo cabelo que cai, pela barba que se faz
Luto pelo amor que morre a cada anoitecer e que floresce a cada amanhecer
Luto por cada batalha vencida pela sobrevivência
Luto pelas derrotas sofridas durante a caminhada
Luto pelas dificuldades que aparecem  

Luto

Luto cada vez que acordo para seguir meu caminho
Luto a cada vez que durmo para recarregar minhas energias perdidas
Luto pelas energias perdidas

Luto

Toda vez que não vejo teu sorriso
Luto pelo ódio que sinto
Luto pelo amor que sinto

Luto

Luto e sigo lutando
Pelos meus objetivos traçados e mudados a cada dia que passa
Enlutado por aquilo que deixo no meio da minha jornada extensa
E de curta existência.



 


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Insanidade interestadual

Noite insone e angustiante.
Inquietação e vontade de girar!
Estagnação e vontade de parar.
Vamos???
Não vamos...
Vamos sim!
Eu vou!
Tu vai?
Não posso esperar...
Não pude esperar!
E o "um por todos e todos por um"?
Pois é...
Uma insanidade me encheu de urgência!
Um "leve desespero" jogou-me na pista!
Foi insano e interestadual!
Só, tri louco, bem legal
Este meu solito pedal!

domingo, 10 de setembro de 2017

Sol no quadro


E esse Sol dentro do quadro?
No chão seco lixo e folhagem
A tosse é do ar, o seu recado
Quadro não há - só foto/imagem.

Mas dentro do quadro há estrela
Que já não está, subiu, fluiu.
Nas fotos artifícios de certeza
Do que já se foi, quem viu, só viu!

Mas esteve dentro do quadro o Sol?
O Sol que não é o mesmo do violão?
Ou foi meu olhar vendo em bemol

Que me fez enquadrar o sol e a visão?
No quadro parado hoje morou o Sol
Nos olhos, na foto, um Sol de audição!



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Espideros, sim senhor!

Não taxe de errado “Los Tres Espideros”
É meu portunhol exprimindo tão bem
As bicis “de entrada”, de bicicleteiros
Que não são como as “speed’s” de outrem.

Primeiro a explosão de um pneu
E o drama de não poder avisar
Ao barbudo esperarando além
E corremos pra ele não debandar

Mas ao me virar, me vi sozinho
Um novo imprevisto e lá foi-se o ar
E eu sem saber se seguia o caminho
Ou se ia adiante ao outro chamar

Se é “um por todos e todos por um”
Eu solitário não iria ajudar
O outro não iria de modo algum
E trouxe outras câmaras de ar

Sanado o problema voltamos ao rumo
Um trem de inflamáveis eu vi passar
Nós com as pernas ganhando o mundo
Sem nenhum barulho no solo a avançar

Então um de speed passou ao meu lado
Zombando e pedindo mais velocidade
Sou só um espidero, seu moço zoado
De leve nós vamos sentindo as cidades

E qual é a chave pra vida ser boa
A outros de speed com chave ajudar?
Sumiram na frente, carbono que voa
Mas sem ferramentas, pra leve avançar

E nós, espideros de entrada pra vida
Vamos ajuntando histórias pra dar
Em versos ou vídeos, entrada e saída
Seguimos fluindo, como rio ao mar!


Cem km Senti

Todo esse tempo que fiquei sem te ver
Senti a dor de ficar
longe de cada centímetro teu.

Lembro do tempo que foi: cem dias com você
Sentindo o céu de beijar
Cada centímetro do corpo teu

Cem Km
Sem sentido
Sem o teu sorriso

Sem você
Cem quilômetros
Cem miragens tuas

A cada curva,
No fim de cada ladeira...

Toda essa dor que eu senti dos cem km
Sem te encontrar
Sinto em cada centímetro meu

Mas daqueles cem dias eu não posso esquecer
Pois ficaste aqui
Na memoria, onde sempre fica

Onde sempre ficarás...

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Sexta Experiência! "Cêis tão aí?"

        Já faz mais de um ano que resolvi escrever pelo menos um poeminha para cada pedalada no Strava (aplicativo e rede social que monitora e compartilha atividades físicas). Como vou de casa ao trabalho quatro vezes por semana de bicicleta, e pedalo mais uma ou duas vezes no fim de semana, sempre registrando tudo no Strava, por mais que eu esteja sempre dizendo/escrevendo algo, como dizem Os Paralamas do Sucesso, “tem sempre alguma coisa por dizer”. Mas meus escritos escondidos no Strava, há alguns dias, pediram passagem e saltaram para além de lá: comecei a compartilhá-los inbox com dois barbudos que passaram a pedalar comigo. Como eu também cultivava no rosto uma vasta pelagem na ocasião, ao fazer uma foto com o nascer do sol ao fundo, em uma fria manhã de Inverno aqui no Sul do Mundo, falei para os dois sujeitos que éramos um trio bem peculiar naquela foto. Os pelos no rosto, por mais que houvesse um sol imenso na imagem, roubaram a cena da foto. Foi aí que me veio na cabeça e falei “Olha só esse trio! TriBarba!”.
        Posso dizer seguramente que mais de 90% dos quilômetros que pedalei foram de maneira solitária. Desde que adotei a bicicleta para ir trabalhar em um supermercado na adolescência, passando pelos meus estudos de graduação e mestrado na UEL até minha jornada daqui de Londrina até Bauru, em São Paulo há dois anos (papo pra outra postagem), quase sempre estive solito, como o Márcio no poema de inauguração deste blog. Justamente por estar vivendo um tipo de isolamento social, não planejei sair dele. Mas começaram a surgir as ideias de pedalada. Primeiro em dupla. Fiz um giro com o Armando, profundo conhecedor e entusiasta da Caloi 10. Eu, que sempre preferi estradas a trilhas, tinha adotado, desde sempre, Mountain Bike (MTB) hibrida, com pneus lisos, com amortecedor quase nulo no garfo. Começava ali meu primeiro contato com uma Speed. E foi aí, com essas primeiras postagens do Strava, replicadas no Facebook, que o Márcio embarcou conosco. Ele foi o último e bravo ser que prosseguiu habitando virtualmente apenas no Twitter, resistiu por anos e como pode ao face. Mas, de repente, lá estava ele também.
        Três cidadãos em situações novas: eu saindo, ao menos aos domingos,  do meu isolamento, Armando voltando a pedalar e retomando a antiga paixão pela Caloi 10, e o Márcio, agora com um perfil no facebook. Naquela pedalada que marcou o início do trio, eram duas MTB e uma speed. Na semana seguinte o Márcio adquiriu uma Caloi 10, e eu, em um dos trajetos mais pesados da região, por conta das subidas agudas (Warta), sofri para acompanhá-los. Decidi ali mesmo que precisava também de uma bicicleta speed. A grana era curta, mas achei, naquela mesma semana, uma promoção em um site, que me permitia pagar parcelado. Comprei! Nos tornamos assim “Los Três Espideros”! Fizemos um pedal épico até Rolândia. Como de costume, mandei-os o poema daquele pedal. Então o Márcio começou a arquitetar a inauguração deste blog aqui! Ele acabou indo sozinho na semana passada, por causa de uma grande combinação de fatores. Nessa semana o Armando não conseguiu ir, então fomos em dois! De uma semana para outra do blog saímos do solito para o duo! Em breve voltamos com o trio!
        Iria escrever sobre o último pedal, mas acho que me empolguei demais aqui. Quando eu próprio canso do que estou escrevendo, é sinal mais que convincente de que devo investir na busca por um ponto final. Em breve voltamos! Tem vídeos do último pedal. Tem boas histórias. Haverão de haver poemas... Digo apenas que fiz a pedalada em dois turnos. No duo do temporal com o Márcio de manhã, e solito à tarde. Fiz 66 Km. Veja bem “6” “6”! Numero emblemático! Há seis anos eu, que pesquisava a música de Raul Seixas (que se dizia explosivo por ter nascido no ano da bomba atômica), em paralelo com a filosofia de Nietzsche (que dizia “não sou um homem, sou uma dinamite”), fiquei perplexo ao notar que, ali, naquele Agosto de 2011, completavam-se 66 anos das bombas atômicas que colocaram um ponto final na Segunda Guerra. Não obstante os efeitos terríveis de uma bomba, as explosões (sobretudo as metafóricas) tem um poder transformador! E foi justamente há seis anos que comecei a blogar. Primeiro de maneira amadora e incidental, no twitter, no “Clã Pierrot” (nome póstumo dado pelo Abiloblog, do Carlos Maltz – baterista co-fundador dos Engenheiros do Hawaii). Depois no “Tragicamente Falando” (que mantenho até hoje de forma livre, para meus poemas e canções). Na mesma época comecei a contribuir com o blog “Estação Raul”, de um programa da Rádio UEL em que eu era um dos produtores. Aquela semente amadora do primeiro clã, viraria em 2015 “Clã Curinga”, onde contribuí com textos filosóficos, músicas, poemas e crônicas periódicas. Minha quinta e mais recente experiência com Blog foi o convite para escrever no espaço “Torcedor do Londrina”, na maior página de esportes do país, o “GloboEsporte.com”. A este blog, que conta com ao menos uma publicação a cada jogo do Londrina, chama-se “LECnRoll”! Esta aqui é minha sexta, veja bem “6xta” experiência com blog! Há algo de mágico em sextas experiências. O sexto acorde no campo harmônico de dó é lá menor! Relativa de dó! Não precisa entender de música, só me entenda que, chegar na sexta, é como um recomeço, ainda que diferente. Há uma pitada de amadorismo, o que trás de volta aquela energia primordial. Mas deixa brecha para novidades. Experimentos. Estamos apenas começando! Embora eu, agora, ainda que relutante, colocarei na sequencia um ponto final.

domingo, 13 de agosto de 2017

PEDAL, SOLITO PEDAL

Pedal, solito pedal

Pedal
Solito pedal,
Triste pedal
Só.
Ando só...
Pelas rodovias de Londrina
PR 445, BR 369
Pelos quatro cantos da Pequena Londres
No horizonte as cidades longínquas que os caminhos por outrora nos levaria
Nos levará…
Na cabeça, na mente, oxigênio
Palavras, frases
Entrecortadas pelo vento e pelo
Som
Das canções ao fone de ouvido
The Strokes, Strokes
Taken for a fool
Como se eu fosse tu
E
Tu fosses eu!
Num universo tão amplo uma simplificação que não perturba
Que chega ao âmago da questão!
Carros passam
Mtbikers para trás
Bom dia!
Na cabeça a vontade de dominar o mundo com a bike
De dar a volta ao mundo em muitas e muitas pedaladas!